Justiça…

Justiça é, pensem bem,
Um acção que um juiz faz,
Quando a coisa lhe convém,
Sempre com um (in) a trás.

Os tempos estão mudados,
Já não há, estou bem certo,
Justiça d’olhos vendados,
Andam todos d’olho aberto!…

O acidente…

Acidente é um demónio
Que, em qualquer ocasião,
Procura o momento erróneo,
Ou a mínima distracção.

Se o Diabo observou,
Que dum descuido se trata,
Alguém que se descuidou,
Põe logo o Diabo a pata!…

Natal…


O Presépio do meu tempo!…

Natal… como eu me lembro
Com que anseio esperava,
Que todo o ano lembrava
O Santo mês de Dezembro.

Desde da árvore e seu remate,
Á linda decoração,
Com bolas feitas à mão
Com papel de chocolate.

A árvore, tão perfumada,
Cheirando a cedro ou a pinho,
Deus sabe com que carinho
Era sempre ornamentada.

No chão, um presépio lindo,
Feito com tanta ternura,
Com musgos e serradura,
E umas montanhas subindo.

A cabana, mais ao lado,
Toda cheínha de luz,
E nas palhinhas Jesus,
Na manjedoura deitado.

Mesmo em redor do Divino,
O presépio sempre tinha
A mula e a vaquinha
Aquecendo o Deus Menino.

Junto, Maria e José,
De joelhos a rezarem,
E os pastores a ofertarem
Dádivas da sua fé.

Depois, num caminho extenso,
Os Reis Magos c’o destino
D’ofertar o Deus Menino,
Com ouro mirra e incenso.

Em volta, distribuídas,
Figuras tradicionais,
Mulheres, homens, animais,
Todas de barro esculpidas.

E nas vésperas do menino,
Escrevia-se num papel
O que o Papai Noel
Poria no sapatinho.

E, para escrever, então,
Com ternura e fantasia,
Era a Mãe, Avó ou Tia,
Que nos pegava na mão.

Lá trazia o Pai Noel
Um carrinho, volta e meia,
Que era feito na cadeia,
Puxado por um cordel.

Mas hoje, já ninguém concorda,
Nem aceita os farrapos
Da bonequinha de trapos
Nem os carrinhos sem corda.

Agora, só se procura
“Super-homens” e violas,
Espingardas e pistolas,
Tudo que seja loucura.


Ai que saudades do sino
Repicando alegremente,
Dos cantares da nosso gente,
Da mijinha do Menino!

Da Festa, tão animada,
Com toda a família unida,
Alegre, tão divertida,
Na Noite da Consoada.

Hoje, aqui neste país,
Ao qual todo o mundo exalta,
Tenho tudo, nada falta,
Não me sinto tão feliz!

Havia necessidade…
Mas, não havia tristeza!
Talvez aquela pobreza,
Nos dava a felicidade!…