Aos meus bons amigos…

Amigos, eu toda a vida
Fui vivendo e cultivando,
Como semente escolhida,
O joio sempre afastando.

Mas, mesmo assim sempre tinha,
Junto ao trigo alourado,
Erva de pé de galinha,
Que eu não tinha semeado.

E lá venho, vida fora,
Cultivando as amizades
Mais puras, pois muito embora
Muitas tragam falsidades.

Os amigos de craveira,
Conhecem-se conforme o tino.
Os outros, com a peneira,
Ou passando a pente fino.

Por isso, quando eu acerto,
Com um amigo a valer,
Fico sempre dele perto,
Com receio de o perder!

Não teimes… não venhas mais!…


Voz

Não venhas mais, por favor,
Acordar meu coração,
Que repousa sossegado.
Sabes que te tenho amor,
E que não te direi não,
Só p’ra te ter ao meu lado.

Não venhas, tem dó de mim,
Se não trazes convicção
De sempre te pertencer,
Deixa-me ficar assim,
Com nova separação,
Eu irei enlouquecer!

Estribilho

Não venhas, toma cautela,
Meu coração acordar,
Como é o teu costume
E voltares aos braços dela,
Ficando eu a penar,
Triste, a morrer de ciúme!

Voz

Não venhas cheio de brio,
Na intenção de mostrares
Que não te faltam mulheres,
Num autêntico desafio
Somente p’ra te gabares
Que sou tua quando queres!

Não venhas, toma sentido,
Com o mesmo fim antigo,
Duma nova despedida.
Mas, volta sim, meu querido,
Se pensas ficar comigo
P’ró resto da tua vida!…

Estribilho

Não venhas, toma cautela,
Meu coração acordar,
Como é o teu costume.
E voltares aos braços dela,
Ficando eu a penar
Triste, a morrer de ciúme!…



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Correndo o mundo…


Um pouco de cada Terra!…

Índia…

Índia, dos Templos dourados,
Das beldades macilentas,
De rostos meios tapados,
Das santas vacas chaguentas!
Dos faquires, que sem dores,
Têm os seus corpos dormentes,
Os hipnotizadores
Que fazem dormir serpentes!

Japão

A extrema delicadeza,
Nos deixam enamorados
Pela moça japonesa
Dos olhos amendoados.
Amam todos os seus queridos,
Mas, mais do que todos os seus,
Adoram os seus maridos,
Tal como Buda, seu Deus!

México

Ai, ai, ai vaqueiro,
Minha saia de balão,
Dei voltas ao teu pandeiro,
Deixou lá o coração.
Ai, ai ai Amor repete
Tua linda serenata,
Ao som da doce trompete
E tua voz tão sensata!

França

Terra bela que seduz
A pessoa mais soturna,
Com Paris, Cidade Luz,
De alegre vida nocturna.
É a Cidade vaidade,
Das “boites” d’alta roda.
Trazendo a humanidade
Escrava da sua moda!

Itália

São lindas e afamados
Tuas Óperas, teus cantores,
Os teus Amores Perdoados,
Lá na fonte dos Amores.
Roma, capital da arte,
De Amor e formosura,
São um sonho, em qualquer parte,
Teus traços d’arquitectura!

Espanha

Tua dança Castelhana
Tuas canções e violas
E a tua linda cigana
A tocar as castanholas.
Ver o toureiro na arena,
A oferecer uma orelha
Á sua bela morena
Da linda rosa vermelha!

Grécia

Com o seu saber profundo,
Teus sábios d’antiguidade,
Abriram os olhos ao mundo
Que hoje, caminha à vontade!
Tua civilização,
Dera ao mu7ndo os proventos,
Gravados no teu torrão,
Nas Deusas e Monumentos!

Brasil

O Brasil tem pedestal,
Gravado de oiro e prata,
No Samba, no Carnaval,
Na sua linda mulata!
A Terra de Santa Cruz,
De Céus lindos descobertos,
O Cristo Rei nos seduz,
Sempre de braços abertos!

Portugal

Portugal, de sol dourado,
Dos heróis de grande fama,
Mostra teu povo no fado,
Como sofre e como ama.
Tens maravilhas infindas,
Tuas mulheres, uns amores,
São jóias com que te alindas,
A Madeira e os Açores!…

Falso Amor!…


Voz

A s tuas juras de Amor,
Teus beijos, tuas ternuras,
Foi um romance de dor,
Um devaneio de loucuras.

Tanto amor, tanta afeição,
Entreguei-te a minha vida,
Mudaste de opinião,
Minh’alma ficou perdida.

Estribilho

Mas agora
É tão forte a minha dor,
Que transformou o Amor
Num ódio tal,
Maldita hora
Que em ti acreditei,
O coração entreguei,
Ao teu punhal!

A outra então
Caída nos teus braços,
Unida por dois laços,
Em teu redor,
Foi o arpão,
Qu’em meu peito penetrou,
E o ódio despertou
Em vez de Amor!

Voz

Foste um erro em minha vida,
Mas olha, toma atenção,
Posso curar esta ferida
Com água pura e sabão.

Não te gabes com as frases
Que um dia irás voltar,
não me faltam bons rapazes
Sabendo-me apreciar!…

Estribilho

Mas agora
É tão forte a minha dor
Etc… etc…



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O Sonho do Luisinho!…

Acordou certa noite amedrontado,
Aos gritos pela Mãe, que o acoitara
E vendo sua Mãezinha a seu lado,
Alegre quis contar o que sonhara:

Um Anjo que desceu dos Céus à Terra,
Anunciava ao mundo de trombeta,
Que, já mais os homens tinham guerra,
Ia ser um Paraíso o Planeta!

Todos se amariam como irmãos,
Acabando a miséria permanente,
Ricos, pobres, todos dando as mãos,
Um mundo pertencente a toda a gente.

Sem mais terrorismos ou cobiça,
Nem drogas ou pagãos ou ateus,
Um mundo de Amor, Paz e Justiça,
Tal qual como nos ensinou Deus!

Ouvindo aquelas frases tão felizes,
Vendo a Mãe seu filho cheio d’esperanças,
Disse:- O mundo seria como dizes,
Se fosse governado por crianças!…

Fado declamado…


Uma História imaginária de Manuel Fadista.

Declama

Esta é a história de Manuel fadista,
Uma voz alegre, um grande artista.
Onde quer que cantava, as suas canções,
Em seu redor, juntava multidões.
O seu à vontade, a sua alegria,
Fazia com que toda a gente o aplaudia.
No velho café em que ele cantava,
Rei da Mouraria o povo o chamava!
Mas, num dia triste e nublado,
Cantava Manuel o seu próprio fado.

Canta

O fado é minha paixão,
Meus pesadelos medonhos,
Por não ter meu coração
Junto à mulher dos meus sonhos.

Vivo no mundo sózinho,
Sem amor, desamparado,
Vou trilhando o meu caminho
Só, triste cantando o fado!

Declama

Mas, neste dia, algo aconteceu,
Uma moça esbelta lhe apareceu,
Que ouvindo a sua voz ali entrara,
Uma mulher, tal e qual ele sonhara.
Cabelos sedosos, olhos fascinantes,
Brilhavam sobre ele como diamantes.
Os olhares cruzavam-se de tal maneira,
Entre Manuel e a linda estrangeira,
Que ele, num fado cheio de calor,
Declarou-lhe de pronto o seu Amor!

Canta

Creia meu Anjo, não minto,
Qu’anseio-te minha querida,
É tal o Amor que sinto
Que durará toda a vida.

Prometo-te em juramento,
De ter-te sempre ao meu lado,
Beijar-te a todo o momento,
Na vida seres o meu Fado!

Declama

Aceitando o Amor, a bela apaixonada,
Acompanhou Manuel para a sua morada.
Era a vida para os dois um Paraíso,
Um sonho, uma loucura, um sorriso
E a linda estrangeira, em paixão arde,
Mas, Manuel começara a chegar tarde,
Foi sua querida o avisando
Do caminho erróneo em que ia andando.
Mas, não ouvi Manuel, na sua loucura,
Pensando que o Amor a trazia segura.
Mas, chegando Manuel um dia a alta hora,
Já o seu Anjo querido, tinha-se ido embora.
Tal foi a dor em seu coração
Que Manuel cantou esta canção:

Canta

Ó pomba porque voaste
Do pombal da minha vida,
Só penas atrás deixaste,
Fiquei de alma perdida.

Só e de alma penada,
Partiste, deixando a dor.
Levando em ti entranhada
O fruto do nosso Amor!

Declama

Manuel chorou, mal disse a sua sorte,
Ao ver-se só, como fosse uma morte,
Correu ruas, andou como um louco,
Fora de si, chamando-a pouco a pouco,
Jurou Manuel jamais cantar o Fado!
Abandonou a Terra, para andar embarcado,
Os anos passaram, vendo mar e terra,
Assim lhe foi chegando a neve na serra.
Quis o destino que, pela vez primeira,
O seu barco acostou à Cidade Baleeira.
Numa rua qualquer estava fixado,
Num grande cartaz ”Noite de Fado”
Levado por uma força que o invade,
quis Manuel matar a saudade.
E, ainda Manuel estava na rua,
Já sentia uma voz igual à sua!
E Manuel entrou de pé muito leve,
Como quem vai andando sobre neve,
Sem qualquer barulho e com cuidado,
Porque nesta altura se cantava o Fado!

Canta

Diz minha Mãe, tanta vez,
Quando eu tenho perguntado,
És filho dum português,
Por isso cantas o Fado.

Foi teu pai um grande artista,
Qu’em Portugal encontrei,
De nome Manuel Fadista,
Único homem que eu amei!

Declama

Manuel levanta-se e tentou falar,
A voz embargou-lhe e pôs-se a chorar.
Uma senhora idosa ali presente,
Olhando Manuel de frente a frente
E como levada por um rastilho
Disse para quem cantava:- Olha meu filho,
Aqui está teu Pai e correndo com a vista,
Voltou a dizer: Eis o Manuel Fadista!
Abraços, beijos, grandes emoções,
Alegria plena naqueles corações.
E hoje, Pai e Filho, até de madrugada,
Cantam o Fado e a desgarrada!

Canta

Como é bom ter Pai, ter Mãe,
Junto a nós aconchegados,
No mundo, quem não os têm,
Sentem-se desamparados.

Canto c’o mesmo calor
Em que outrora cantei,
Porque encontrei meu Amor
E o Fruto q’ela me dei!

Fim



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Mulher…


Um grande valor!…

Triste será a Mulher
Fraca e que não souber
Que tem um grande valor.
Ela, tem que existir,
P’ra nos amar, p’ra sorrir.
Ela é que é o Amor!…

Se a mulher não nascia,
O mundo o que seria,
A vida era tristeza,
O mundo, era um horror,
Porque éla é o Amor
Que dá vida à Natureza!

E os homens desamparados,
Seriam uns desprezados,
Uns tristes sobre a Terra,
A vida se transformava
No poder que se alcançava
Tudo que a ganância encerra!

A Mulher é o respeito
Que nos traz tão satisfeito
Em qualquer reunião.
Que também sabe sorrir
Com graça e nos faz sentir
Ter no peito um coração!

não sei como alguém quer
Fazer com que a Mulher
Viva sempre humilhada.
Se é ela a companheira,
O homem a vida inteira,
Sem ter Mulher, não é nada!…

Conto infantil, dos meus tempos de criança!…


Conto infantil, dos meus tempos de criança!…
Rapazinhos novos querem se casar!…

Duas criancinhas,
Para se casarem,
Não tinham roupinhas
P’ra se agasalharem!

Uma aranha tonta,
Do alto a fiar,
Disse estar pronta
Para a roupa dar!

Agora que tem,
A roupa na mão,
De onde é que vem
Farinha p’ró pão?!…

Um gorgulho que estava
A sair do grão,
Disse que lhe dava
farinha p’ró pão!

Como o pão lhe dava
O gorgulhozinho,
Agora faltava
Quem lhe desse o vinho.

De pronto um mosquito
Que perto voava,
Disse em tom fraquito
Qu’o vinho lhe dava!

Tudo estava bem
E mesmo a calhar,
Mas, faltava alguém
Para lhes casar.

E, logo um jumento
Disse em seu zurrar:
-Quanto ao casamento,
Eu vou vos casar!

Já nada faltava,
Roupa, pão e vinho,
O burro casava,
Só falta o padrinho!…

Disse a medo um rato,
Do seu buraquinho:
-Acautela o gato,
Qu’eu vou ser padrinho!…

Terceira, Ilha de Jesus!…


Estribilho

Terceira,
És um cantinho de luz
Com a tua mais bela história,
Terceira,
Linda Ilha de Jesus
De heróis, fama e glória.

Terceira,
É um jardim de turismo
Tua Serreta e Memória,
Terceira,
Da Angra do Heroísmo
E da Praia da Vitória!

Terra bendita onde a gente tão fidalga
Tu defendeste com o teu calor humano,
Quer em Mindelo, ou na batalha da Salga,
Contra os Filipes e o jugo Castelhano!

Teu São João, tuas moças, teus amores,
E a Festa Brava, mostra bem quanto encerras,
Terceira, és Mãe, de bravos navegadores,
Que em teu seio sonharam com lindas Terras!

Estribilho

Terceira,
És um cantinho de luz
Com tua mais bela história.
Terceira,
Linda Ilha de Jesus,
De heróis, fama e glória.

Terceira,
É um jardim de turismo
Tua Serreta e Memória.
Terceira,
Da Angra do Heroísmo
E da Praia da Vitória!…



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Quem é… Quem é!?…


Estribilho

Olhando o Céu estrelado,
Nesta abóbada infinita,
Cuja obra tão bonita
Faz-nos sonhar acordado,
Logo à ideia nos vem;
Quem encheu a Natureza
Com tanta e tanta beleza
E, quem tanto poder tem!?…

Voz

Quem fez o Sol, as Estrelas,
Toda a beleza que encerra
O nosso Planeta Terra,
Cheio das mais lindas telas.
Quem fez o Mar, tão profundo
E quem foi o Soberano
Que moldou o corpo humano,
Obra mais bela do mundo!

Quem fez as lindas montanhas?
Quem é este Omnipotente,
Que, duma simples semente
Faz brotar árvores tamanhas
E, quem fez os animais,
Aves que voam no ar,
O ar para respirar,
A fruta e os vegetais?!…

Quem enche o mundo de brilho
E que nos amando a rodos,
Entregara o seu filho
Para nos salvar a todos,
Quem enche o mundo de Fé,
De Esperança e de Amor,
Quem é este Criador,
Digam lá, quem é… quem é!?…

Estribilho

Olhando o Céu estrelado,
Nesta abóbada infinita,
Etc… etc…



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