Ouve o meu Amor e não sejas interesseira!…


Voz

Não sou um anjo de beleza,
Mas se tu abrires meu peito
Vais encontrar de certeza
Um Amor puro e perfeito!

Não te dou joias, brilhantes,
Dou-te um amor de verdade
E terás todos instantes
A maior felicidade.

Estribilho

De que serve, na verdade
Teres dinheiro na tua mão,
Se, em vez de felicidade,
Tens cinzas no coração.

Abre o teu peito e ao centro,
Junto ao amor que te dei,
Põe meu coração lá dentro,
Com tudo quanto eu sonhei!

Voz

No teu amor é primeiro
O luxo e a vaidade.
Um Amor tão interesseiro,
Não traz a felicidade!

Amor é p’ra toda a hora,
Não precisa ser-se rica!
Porque o dinheiro vai-se embora,
E o Amor, perdura e fica!…

Estribilho

De que serve na verdade
Teres dinheiro na tua mão,
Etc. etc.

A história da vaquinha!…

Quem não conhece a história
De um lavrador que tinha
Uma bonita vaquinha,
Que saltou a divisória,
Sem alguém ter reparado.
E daí se conclua
De chamar-lhe logo sua,
O seu vizinho do lado!

Tribunais, advogados,
E as custas do processo,
Chegaram a um tal preço
Que, após tempos passados,
O dono da vaca quis
Com a razão que ele tinha,
Perguntar:-mas a vaquinha
De quem é, senhor juiz?!…

Disse o juiz:- afinal
Em verdade nua e crua,
Não é dele, nem é tua.
Ela é do tribunal!…

O governo caiu…

O governador de tal,
Que era bom, forte e seguro,
Caiu do seu pedestal,
Quando estava bem maduro!

Pensando com mais apuro,
Estava cheio como um odre.
Pois, foi além de maduro,
Caiu sim… mas foi de podre!…

Ditadura…

Ditadura é um estado
Em que o cérebro da nação
Traz sempre o povo obrigado,
Sem ter qualquer opção!

Suas Leis sempre cumpridas
À risca, sem mais histórias.
Umas, são coisas proibidas,
Outras são obrigatórias!…

A dança…

A dança já não realça,
Nem a finura já brilha,
No rumba, tango e a valsa,
No fox ou na quadrilha.

Andam a tocar em troco,
Modinhas de Belzebu,
Para a dancinha do soco,
Ou a de rebola cú!

Ainda há muito artista,
Quer músico ou quer cantor,
Que não entra nesta lista,
Pois tem cumprido a rigor.

Quanto aos que só vem gritar,
Dum modo que não se entende,
Como podemos gostar,
Se ninguém os compreende?!…

Quando eu ouço assim tocar,
Ou cantar, é tal e qual!
Só posso classificar
De desordem musical!…

A música, a sétima arte!…

A música, em qualquer parte
É arte bem superior,
Brilhando mais esta arte
Se a canta um bom cantor.

Dá-nos alegria ou tédio,
Num dom que não se explica.
Por vezes é um remédio,
Que o humano modifica.

A música, uma paixão,
Que junto com uma voz,
Entra-nos no coração,
Faz amor dentro de nós!

Há quem a toque hoje em dia
Num tom que não se concebe,
Uma autêntica gritaria,
Que ninguém mais a percebe.

Há tanto músico tocando
A música, arte divina
Julgando estar agradando,
A pobre pauta assassina!

A música, coisa tão bela,
Hoje tocada com matracas,
Com tampinhas de panela
E com chocalhos de vacas!

Com som forte, põe-nos loucos,
Porque este som estridente
Vai dando cabo aos poucos
Dos tímpanos a toda a gente!

Assistir música assim,
Neste tom que desafina,
Temos que tomar no fim
Dose forte de aspirina!

Mas se os músicos são bons
E o vocalista sabido,
A combinação dos sons,
Cai muito bem no ouvido!… 

Perdão querida!…


Voz

Perdão querida
Por ter perdido o juízo,
És minha vida
E arrependido eu choro,
Mas acredita,
Ela não vale um sorriso,
És mais bonita,
A mulher que tanto adoro!

Até teus beijos,
Têm p’ra mim outro sabor,
E os meus desejos
Ela nunca os satisfaz,
Minha loucura
Por ela não foi amor,
Uma aventura
Que me anda tirando a paz.

Estribilho

Tu sabes bem
Que não te iria trocar,
E que te adoro
Mais que a minha própria vida,
Ninguém… ninguém,
Como eu te vai amar,
Por isso imploro
Volta para mim querida.

Voz

Eu necessito,
De dentro do coração,
Que sem receio
Me dês oportunidade.
Eu vivo aflito
Esperando este perdão,
Cujo devaneio,
Te encheu de crueldade.

Fico esperando,
Ao dispor dos teus desejos,
Já não aguento
A nossa separação,
Ando estranhando
A ausência dos teus beijos,
Como um tormento
Constante em meu coração!

Estribilho

Tu sabes bem
Que não te iria trocar
E que te adoro
Mais que a minha própria vida,
Ninguém… ninguém,
Como eu te vai amar,
Por isso imploro
Volta para mim querida!… 

Não quero ficar para Tia!…


Estribilho

Eu quer… eu quero sim,
Um casamento feliz,
Homem que goste de mim
E tenha bens de raiz,
Bem da minha simpatia,
A idade tanto faz
Ser idoso ou ser rapaz,
Não quero é ficar p’ra Tia.

Voz

Vejo os dias a passarem,
E eu ando para aqui só,
Vejo todas a casarem
Só eu nunca dou o nó.
Estou passando de nova,
E, se aos homens não der trela,
Acabo por ir p’ra cova,
De palmite e de capela!

Já estive a namorar,
Namoro bem adiantado,
Quando falei em casar,
Disse-me que era casado.
Gostei dum rapaz perfeito,
Fiz-lhe uma declaração,
Respondeu-me contrafeito:
-Mulheres p’ra mim… isto não!…

Estribilho

Eu quero, eu quero sim,
Etc…etc…