Porquê?!…


Voz

Amor, porque te afastaste,
Será que já tens alguém,
Ou noutra estais a pensar.
Diz-me o que nela encontraste,
O que é que ela tem
Que em mim não vais encontrar!

És meu amor, meu carinho,
Fogo da minha paixão,
Minha esperança no depois
De formar um novo ninho,
Na paz da nossa união,
Num mundo só de nós dois!

Estribilho

Vem e trás-me os teus carinhos,
O teu jeito de ternura,
As tuas frases tão belas,
Afaga-me com teus beijinhos,
Enrola a minha cintura,
Deixa-me ver as estrelas!

Voz

Quero ver teus olhos belos
Envoltos naquela bruma
Que me cega e enlouquece,
Formando novos castelos,
Com um amor que se assuma
E já mais se desvanece!

Pensa em mim, vem meu amor,
Trás como dantes teu preito,
Sacia a minha paixão.
De novo quero teu calor,
Sentir-te junto ao meu peito,
Coração com coração!…

Estribilho

Vem e trás-me o teus carinhos,
O teu jeito de ternura,
As tuas frases tão belas.
Afaga-me com teus beijinhos,
Enrola a minha cintura,
Deixa-me ver as estrelas!…



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Vaidosa…

Lá vai ela, peito inchado,
Por todos passa indiferente,
Vaidosa por tyer casado
Com um segundo tenente.

Vê-la assim de ar profundo,
Briosa ao pé do parceiro,
Eu penso:- Este é segundo,
O que fez ela ao primeiro!?…

Ela acha bem, mas são coisas que eu não acho!…

Mulher solteira
E que nem sequer namora,
No vai e vem,
Arranjara um muchacho,
Desta maneira
Lá vai pela vida fora,
El;a acha bem,
Mas são coisas que não acho!

Homem vadio
Na droga e na bebida,
Que se mantém
Noite e dia um borracho.
Num rodopio
Sem bebedeira cozida,
Ele acha bem,
Mas são coisas que não acho!

Mulher casada
Que tem outro no sentido
E com desdém
Mostra ainda ter penacho,
Anda enganada
E enganando o marido,
Ela acha bem,
Mas são coisas que não acho!

Homem que casa
Sem interesse por mulheres,
E ainda tem
Em particular um macho
Que arrasta a asa
E lhe vem dar os prazeres,
Ele acha bem
Mas são coisas que não acho!

Se uma mulher
Casou para companheira,
E deste alguém
Propõe-se a fazer capacho,
Quando Ele quer
Ela vira fressureira.
Ela acha bem
Mas são coisas que não acho!

As penas que Deus me deu…

Por vezes não são pequenas
As penas, só porque eu
A custo vivo estas cenas
Das penas que Deus me deu.

Parecem muito serenas,
Deixando sempre marcado
Com penas, grandes, pequenas,
No delito do pecado.

Há as penas de penar,
Que nos vem por ter errado,
Mas também penas chamar
Em sentido figurado.

Há penas de pecador,
Penas de crime e prisão,
E, há quem se enfeito a rigor
Com as penas de pavão.

Há penas com que se escreve,
As lindas cartas de amor,
Penas que marcam quem deve
E as penas dum escritor.

Penas d’oiro ou de platina,
Cujo valor é bem forte.
E a triste pena que assina
Uma sentença de morte.

Há penas p’ra depenar,
Até há penas imensas
Que em vez de condenar,
Assinam penas suspensas!

Penas de aves depenadas
E a pena que condena
As famílias separadas,
Qu’olhamos com muita pena!

Eu tenho pena de quem
Se droga ou é traficante,
Pena de quem não a tem
E do triste ignorante!

Com tanta pena aqui dito,
Quem ler tintim por tintim
O que aqui vai escrito,
Que tenham pena de mim!…

Almas más e almas boas…

São almas as massas vivas,
De que se formam pessoas…
O espírito as torna ativas,
Umas más e outras boas.

A alma é um nome dado
Às vezes só por desdém
Em sentido figurado
A quem faz o mal ou bem.

Quem, com vida regalada,
A ninguém quer ajudar,
Não passa d’alma penada,
Só vive p’ra respirar.

Também há os que acodem,
Ajudando as pessoas,
Conforme na vida podem.
Estes, são as almas boas!…

A história de uma esmola!…

Conta-se que a esmolar,
Dois pobres, um foi bater
À porta de um ricaço,
E a criada ao tentar
Dar-lhe algo, sem nada ter,
Pensou:- Meu Deus, que faço?!…

Tenho as comidas fechadas,
Dinheiro, nem mesmo um cobre,
Que ao pobre lhe desse jeito.
Tinha uma favas torradas,
Dei um bom punhado ao pobre,
Que aceitou, contrafeito!

Como quem teve uma perda,
Foi juntar-se ao colega,
Da esmola desdenhando;
Mas que esmola da merda,
Diz ao outro, enquanto pega
Nas favas já mastigando!

Uma coisa é bem certa,
Quem muito p’rá dádiva olha,
Tem ideias muito erradas.
Para alguém que a fome aperta,
Não pode haver muito escolha,
Come até favas torradas!…